Maré, nossa história de amor estreou timidamente nos cinemas em 2008, no entanto gostei bastante. Sem dúvida os meninos arrasam.Apesar da pouca divulgação no Brasil, o filme ganhou três prêmios e participou de vários festivais. Entre eles, foi a abertura do Festival de Toulouse (2008), ganhou prêmio de melhor direção no Festival Los Angeles Latino Film Festival (2008) e teve o prêmio especial do júri no festival belga Open Doek (2008).
O longa-metragem é baseado no famoso espetáculo shakesperiano Romeu e Julieta atualizado e ambientado na favela da Maré (Rio de Janeiro). Analídia (Cristina Lago) e Jonatha (Vinícius D’Black) vivem um amor proibido devido a rivalidades entre suas famílias, que são de facções inimigas. Analídia é filha de um chefe do tráfico de drogas preso que possui desentendimentos com o irmão de Jonatha. O refúgio do romance do casal é no grupo de dança da comunidade, ministrado por Fernanda (Maria Orth). Lá eles vivem momentos longe da violência e dos problemas que cercam a favela onde moram.
O legal do filme é pelo fato dele não ser uma mera cópia da realidade americana transportada para dançarinos brasileiros caricaturescos e irritantemente aculturados (como no caso de “High School Musical-O Desafio“, que está previsto para estrear nesse mês). O filme é uma mistura de um romantismo clássico com a realidade dura do Brasil nos seus mais diversos aspectos. Além disso, os dançarinos que participam da película fazem parte de comunidades do Rio de Janeiro que, através de ONG’s e iniciativas como o filme, conseguiram ser reconhecidos. Seus currículos apontam formações de diversos tipos de dança, como rap, hip hop, clássico, afro, entre muitos outros. Um trunfo também é a presença de nada menos que Marisa Orth, que arrasa em todas suas interpretações.
Ou seja, o longametragem é 100% brazuca! Vale a pena alugar o DVD e aproveitar cada segundo. Pelo seu pioneirismo, o musical não chega a ter a qualidade dos estadunidenses, mas acredito que essa ingenuidade (não do conteúdo, mas da produção do filme) é o que faz o filme ser diferente dos outros.